SE É NATURAL QUE MAL FAZ?

No senso comum, o uso de plantas medicinais pode ser realizado de qualquer forma, quantidade, combinações e por qualquer via, uma vez que se trata de uma substância natural, logo é incapaz de causar prejuízo à saúde.

Mas será que essa afirmativa é realmente verdadeira?

Assim como qualquer fármaco, a diferença entre o efeito terapêutico e a toxicidade do fitoterápico está na dose utilizada.

Dessa forma, se usado incorretamente pode provocar sérios danos à saúde. Um bom exemplo dessa máxima é a velha e boa Babosa (Aloe vera). Amplamente usada por seus benefícios anti-inflamatório, cicatrizante, hipoglicemiantes e hipolipidêmicos, quando utilizada de forma adequada. Porém, quando seu uso é feito em altas concentrações e de forma prolongada, principalmente quando é administrada via oral, pode causar desde abortos até hepatite aguda.

No Brasil, o uso das plantas medicinais é realizado em sua grande maioria, de forma empírica e automedicada. Essa casadinha, é em si um risco a saúde pública. Ainda mais quando se trata de um produto de baixo custo e amplamente disponível, não apenas no quintal de casa, como também em feiras livres, mercados públicos e casas naturais sem que haja nenhuma fiscalização quanto a sua comercialização.

Desta maneira, listamos alguns pontos que devem ser avaliados antes de usufruir dos benefícios terapêuticos das plantas medicinais.

  • Eficácia: antes de tudo é importante saber se aquela planta realmente é capaz de promover o efeito terapêutico desejado. Dessa forma, pesquise em fontes confiáveis como artigos científicos e instituições sérias.
  • Interação medicamentosa: algumas substâncias presentes nessas plantas podem interagir entre elas ou com outras presentes nos medicamentos que você utiliza para tratar uma doença crônica, como diabetes e hipertensão. Essa interação pode inibir, intensificar ou torná-las toxinogênicas.
  • Identificação Botânica: algumas plantas podem ser facilmente confundidas com outras, use apenas plantas que você tenha segurança. Na dúvida, consulte um profissional.
  • Higienização e cultivo: é imprescindível que tomemos todo cuidado com a lavagem e desinfecção das folhas, caules, raízes e frutos que irão ser consumidos. Assim como evitar que ocorra a contaminação desses produtos como, por exemplo, por fezes de gatos que podem estar contaminadas por parasitas (Toxoplasma gondii).
  • Armazenamento: Como qualquer outro medicamento ou alimento, os fitoterápicos têm data de validade. Devendo ser armazenados da forma correta, a fim de prolongar a sua vida útil e evitar contaminações.
  • Qualidade: não utilize plantas que estão próximas a esgotos, lixos, produtos químicos ou dejetos fecais.
  • Posologia: assim como qualquer outro medicamento, é de suma importância atentar-se a dose, frequência e tempo correto do tratamento. Evitando assim possíveis complicações do uso exacerbado da medicação.
  • Preparo: é bastante comum vermos chás sendo preparados de forma equivocada. Seja por passar vários minutos em temperaturas elevadas o que degradam os compostos bioativos ou por acrescentar várias plantas, que podem alterar drasticamente sua composição ou interagir entre si. Sempre que possível dê preferência a plantas colhidas recentemente.
  • Via de administração (tópica, oral): algumas plantas podem ser benéficas ou causar danos à saúde a depender da forma como é utilizada. Dessa forma cheque sempre a via de administração.
  • Contra indicações: Alguns fitoterápicos podem causar danos em órgãos específicos, provocar sintomas adversos ou ser teratogênicos. Dessa forma, grávidas, idosos e crianças devem ter cuidados redobrados quanto a sua utilização.

Além disso, pessoas com acometimento de órgão-alvo devem evitar o uso de dadas plantas medicinais.

Por: Farlley Ferreira e Lucas Souza
Fonte: Farmácia Saúde – PE

SE É NATURAL QUE MAL FAZ?